
Um livro é um mundo! Sendo fruto da cabeça do autor que o concebeu há imagens, sentidos e sentimentos, dizeres e silêncios que nos reiteram, nos alargam, ou mesmo nos trazem confirmações sobre nossas percepções para com o dito, percebido. Há estórias...Foi mais ou menos isso tudo que senti ao ter contato com o livro “Primeiro Estórias”, de João Guimarães Rosa.
Após a leitura de minha professora do último ano de faculdade - em sua respectiva aula de Literatura Brasileira - do conto “A menina de lá”, (que depois veio a ser objeto de análise para o meu Trabalho de Conclusão de Curso em minha graduação), tive a sensação de já ser íntima do universo rosiano: narrativas que lidam com o que está além muitas vezes de nós conceitualizarmos, onde apenas sentimos, e muitas vezes nos faltam signos para tanto. Logo, é preciso experimentar, e é por isso que uma língua/linguagem foi pouco para Guimarães. Foi necessário criar a sua.
O livro é composto por 21 contos, com diferentes gêneros, linguagens e temas: temos do conto fantástico ao psicológico, passando pela anedota, com linguagens que assumem um tom satírico, assim como lírico e trágico, além de temas como a loucura – “Sorôco, sua mãe, sua filha”, “Nada e a nossa condição”, a morte e sua sacralidade em “A menina de lá”, dentre outros. Contudo, acentua-se uma ligação das personagens: todas experimentam a existência para com assuntos que vão além sanidade, “normalidade” ou racionalidade: dentre “loucos”, “santos”, as personagens tem em sua máxima a transcendência, algo muito característico na obra de Guimarães,
A narrativa tem todo um objetivo de ser, em seus pequenos detalhes: o prefácio, em seu original e mantido por algumas versões de editoras, contém símbolos, desenhos, que compõem a estética do livro, ligando-se a cada estória; no décimo primeiro conto, “O espelho”, encontra-se o meio do livro, que assim como o objeto reflete o que está por vir; o último conto é a ponta da primeira narrativa. Enfim, são esses pormenores que ajudam-nos na compreensão total desse autor, tão profundo para com as questões de nossa existencialidade que ás vezes, ao lê-lo num primeiro (ou quem sabe também segundo) momento, nos parece difícil, atípico, bem como a fala de seus personagens sertanejos, mas que depois vão tomando forma, significados, captando, como a menina de “meu” conto, “só a pura vida”.
Valeu pela dica !!!!!

2 comentários:
Show de bola...
Oi, Convido você para seguir meu blog tabém
http://rebentoscelsotorrano.blogspot.com/
Atenciosamente
Professor Celso -EE Antonio R Tavares, Osasco-SP
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